O coletivo da minha cidade
O coletivo da minha cidade,
custa caro e carrega gente feito gado,
superlotação, aperto de gente,
cheiro de gente, gosto de gente,
trabalhadores, estudantes, idosos e crianças,
se apertam, se amassam e se consomem para enfrentar o dia-a-dia.
No coletivo da minha cidade,
têm assentos preferenciais para idosos, deficientes e mulheres grávidas,
mas infelizmente a maioria dos homens e mulheres
parecem deixar os bons costumes em casa.
a educação é coisa rara de se achar.
Na minha cidade tem ônibus expresso
biarticulado, interbairros, circular-centro,
ônibus vermelhos, verdes, amarelos, cinzas e brancos.
Os vermelhos circulam soberanos por suas canaletas,
cortando a cidade de leste a oeste, de norte a sul.
e os verdes atravessam os bairros amontoados de gente.
No coletivo da minha cidade,
amizades começam e terminam,
torcedores de times cometem loucuras,
ambulantes vendem balas e doces,
mendigos pedem esmolas,
ladrões assaltam com mãos leves,
pessoas demonstram solidariedade,
estudantes estudam para as provas,
mães levam filhos doentes ao médico,
trabalhadores voltam suados e cansados do trabalho.
Em cada rosto estampado a diversidade da vida humana,
cada um carregando em sua alma
sua alegria ou sua dor.
Noemi N. Ansay